Pesquisas registradas no TSE mostram cenário ainda disputado na eleição para o Governo do Tocantins


Levantamentos eleitorais realizados em setembro e registrados na Justiça Eleitoral mostram um cenário de disputa entre os principais candidatos ao Governo do Tocantins. Embora pesquisas recentes apresentem a candidata Professora Dorinha numericamente à frente em alguns cenários, os resultados variam de acordo com o instituto, a metodologia e o período de realização das entrevistas. Os dados disponíveis, portanto, não apresentam uma fotografia única da corrida eleitoral e não permitem afirmar, com base apenas nas pesquisas públicas, que a eleição esteja definida.

Entre os levantamentos realizados em setembro está a pesquisa do Instituto Veritá, registrada no TSE sob o número TO-09060/2026. O trabalho de campo ocorreu entre os dias 7 e 12 de setembro, com 1.220 entrevistados. Considerando os votos válidos, Dorinha aparece com 43,8%, enquanto Vicentinho registra 39,3%. Laurez Moreira aparece com 8,9%, Ataídes Oliveira com 6,8%, Witer Naves com 1,1% e Du Pereira com 0,2%. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, o que coloca os dois primeiros candidatos dentro de uma situação de empate técnico.

Outro levantamento realizado posteriormente foi o do Paraná Pesquisas, contratado pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO) e registrado sob o número TO-08578/2026. A pesquisa entrevistou 1.504 eleitores entre os dias 12 e 14 de setembro, em 75 municípios. No cenário estimulado, Dorinha aparece com 40,6%, seguida por Vicentinho, com 34,1%. Laurez registra 6,5%, Siqueira Campos Júnior 4,9%, Ataídes 2,8%, Du Pereira 0,5% e Witer Naves 0,3%. Brancos e nulos somaram 5,5%, enquanto 4,9% não souberam ou não responderam. Nos votos válidos, Dorinha aparece com 45,3% e Vicentinho com 38,1%.

Também realizada em setembro, a pesquisa Real Time Big Data, registrada sob o número TO-05805/2026, entrevistou 1.600 pessoas entre 10 e 14 de setembro. O levantamento apresentou Dorinha com 35% das intenções de voto e Vicentinho com 33%. Laurez aparece com 9%, Ataídes com 6% e Witer Naves com 4%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença entre os dois primeiros está dentro do intervalo de empate técnico. No cenário de segundo turno entre Dorinha e Vicentinho, o levantamento apontou 43% para Vicentinho e 41% para Dorinha, também dentro da margem de erro.

A série histórica do próprio Real Time Big Data também merece atenção. Em comparação com o levantamento anterior do instituto, Vicentinho passou de 30% para 33%, enquanto Dorinha avançou de 33% para 35%. Dessa forma, dentro dessa sequência específica de pesquisas, os dois candidatos apresentaram crescimento, enquanto a distância entre eles passou de três para dois pontos percentuais.

Outro levantamento divulgado em setembro foi registrado sob o número TO-08421/2026, com 1.600 entrevistados. A coleta ocorreu entre 31 de agosto e 8 de setembro, portanto parte do trabalho de campo aconteceu ainda no mês de agosto. Nesse levantamento, Vicentinho apareceu com 41% e Dorinha com 33%, enquanto Laurez registrou 6%. Por ter período de coleta diferente dos demais levantamentos, os números não devem ser tratados como uma fotografia exclusivamente do eleitorado de setembro.

Também consta entre os registros a pesquisa do Instituto Lucro Ativo, número TO-09869/2026, realizada entre 7 e 12 de setembro, com 800 entrevistados em Palmas. Na pesquisa espontânea para governador, Dorinha aparece com 31,75% e Vicentinho com 18,13%. Entretanto, houve decisão judicial suspendendo a divulgação das questões relativas à intenção estimulada e à rejeição para governador. Por isso, esses dados estimulados não devem ser utilizados como resultado público válido sem a devida contextualização.

O que dizem os números?

A comparação dos levantamentos revela diferenças importantes entre as pesquisas. Dorinha aparece numericamente à frente em três dos levantamentos recentes analisados, enquanto uma pesquisa cuja coleta ocorreu entre o final de agosto e o início de setembro apresentou Vicentinho na liderança. Além disso, nos levantamentos Veritá e Real Time, as diferenças entre os dois primeiros candidatos estão dentro das respectivas margens de erro.

O cenário também precisa ser analisado considerando o período em que cada pesquisa foi realizada. Pesquisas eleitorais são fotografias de determinado momento e podem apresentar resultados diferentes quando realizadas em datas distintas, especialmente em uma eleição ainda em andamento.

E a informação sobre uma suposta pesquisa interna com 52%?

A informação publicada recentemente pelo Jornal Opção Tocantins, segundo a qual integrantes da campanha de Vicentinho Júnior já estariam considerando uma possível derrota e teriam acesso a uma pesquisa interna apontando Dorinha acima de 52%, deve ser tratada separadamente dos levantamentos registrados no TSE.

Até o momento, entre as pesquisas públicas analisadas e registradas na Justiça Eleitoral, não aparece um levantamento de setembro que apresente Dorinha com 52% das intenções de voto no primeiro turno. Isso não permite afirmar que uma eventual pesquisa interna não exista, já que campanhas podem contratar levantamentos que não são divulgados publicamente. Entretanto, o número de 52% não deve ser apresentado como resultado de uma pesquisa eleitoral pública registrada no TSE sem a apresentação do respectivo levantamento e de sua metodologia.

Conclusão

Os dados disponíveis mostram uma eleição para o Governo do Tocantins marcada por diferenças entre os levantamentos. Dorinha aparece à frente em pesquisas recentes do Veritá, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data, mas os resultados do Veritá e do Real Time colocam os dois principais candidatos dentro da margem de erro. Já outro levantamento, com coleta iniciada em agosto, apresentou Vicentinho numericamente na liderança.

Dessa forma, as pesquisas registradas na Justiça Eleitoral permitem identificar tendências e diferenças entre os levantamentos, mas não permitem afirmar que o resultado da eleição esteja definido. A informação sobre uma suposta pesquisa interna com Dorinha acima de 52% permanece como informação atribuída a fontes de bastidores e não deve ser confundida com os resultados das pesquisas eleitorais públicas registradas no TSE.

Para o eleitor, a principal informação é que os levantamentos representam diferentes momentos e metodologias. A análise responsável exige observar o instituto, o período de coleta, o tamanho da amostra, a margem de erro, o cenário pesquisado e o registro no TSE antes de tirar conclusões sobre a disputa eleitoral.

Fontes: TSE/PesqEle, Veritá, Paraná Pesquisas/FIETO, Real Time Big Data e as reportagens que divulgaram os levantamentos.

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