SUS e saúde pública: o que pode mudar no atendimento dos brasileiros?

 Cidade Interativa Almas-TO | Série especial: Democracia em Debate

Financiamento, atendimento, despesas obrigatórias e acesso aos serviços de saúde estão no centro de uma discussão que afeta diretamente milhões de brasileiros. O que dizem as propostas para 2026 e quais são os riscos que precisam ser esclarecidos?

A saúde pública é um dos serviços mais importantes para a população brasileira. Para milhões de famílias, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal porta de entrada para consultas, exames, vacinas, cirurgias, tratamentos contínuos, atendimento de urgência e fornecimento de medicamentos.

Por isso, discutir propostas de governo para a saúde não significa apenas comparar promessas eleitorais. Significa entender de onde virá o dinheiro, como os recursos serão distribuídos, quais serviços poderão ser ampliados e quais garantias precisam ser preservadas.

Nesta terceira reportagem da série Democracia em Debate, a Cidade Interativa Almas-TO analisa o financiamento do SUS, as propostas de modernização do atendimento e as discussões sobre despesas obrigatórias do governo federal. O objetivo é ajudar o cidadão a compreender o que está em jogo e cobrar respostas concretas dos candidatos.

1. O SUS é um direito garantido pela Constituição

A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Isso significa que o acesso à saúde pública não deve depender da renda, da condição financeira ou da capacidade de contratar um plano particular.

O SUS é financiado com recursos públicos e envolve a participação da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Cada esfera de governo tem responsabilidades na manutenção e na oferta dos serviços.

A legislação também estabelece regras para a aplicação mínima de recursos em saúde. No caso da União, a Constituição prevê um piso de financiamento vinculado à receita corrente líquida, conforme as regras constitucionais vigentes.

Isso não significa, porém, que todo problema do SUS seja resolvido apenas com o aumento do orçamento. É necessário garantir planejamento, profissionais, estrutura física, medicamentos, equipamentos, regulação eficiente e fiscalização dos gastos.

A pergunta central é: as propostas apresentadas garantem recursos suficientes e continuidade dos serviços ou deixam dúvidas sobre como o atendimento será financiado no futuro?

Fonte: Constituição Federal — Portal do Planalto.

2. O que Flávio Bolsonaro propõe para a saúde?

Nas propostas divulgadas para a eleição de 2026, Flávio Bolsonaro apresenta medidas voltadas à ampliação da atenção básica, à digitalização do SUS, à telessaúde, ao prontuário eletrônico unificado e ao uso de inteligência artificial para auxiliar a triagem e a prevenção de doenças.

O conjunto de propostas também menciona facilitação do acesso a medicamentos, atenção à saúde da mulher, dos idosos e das pessoas com deficiência, além de iniciativas relacionadas à saúde mental e à produção nacional de vacinas.

Essas medidas podem trazer benefícios se forem implementadas com financiamento adequado, proteção dos dados dos pacientes e capacidade de atender também quem vive longe dos grandes centros urbanos.

Entretanto, anunciar tecnologia não é o mesmo que garantir atendimento. Um prontuário eletrônico, por exemplo, não substitui a presença de médicos, enfermeiros e outros profissionais. A telemedicina também não resolve todos os casos e não elimina a necessidade de exames presenciais, cirurgias ou atendimento de urgência.

Outro ponto importante é a transparência financeira: quanto custarão as mudanças, de onde virão os recursos e como será garantido que municípios pequenos também consigam implantá-las?

Uma análise publicada pelo UOL em 6 de outubro de 2026 comparou as propostas de saúde dos candidatos e descreveu essas linhas de atuação.

Fonte: UOL — Quais as propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para a saúde?.

3. O debate sobre o financiamento: onde está a preocupação?

Um dos assuntos mais importantes é a discussão sobre o controle das despesas obrigatórias do governo federal.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em outubro de 2026 informou que integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro avaliaram medidas de ajuste fiscal que poderiam incluir mudanças na forma de correção de despesas previdenciárias e a eliminação dos pisos constitucionais federais vinculados à receita para saúde e educação.

A mesma reportagem registrou que a campanha negou oficialmente que essas medidas integrassem o plano de governo apresentado.

Essa distinção é fundamental: uma medida atribuída a estudos internos não deve ser apresentada automaticamente como proposta oficial e confirmada do candidato. Mas, diante da relevância do tema, a população tem o direito de cobrar esclarecimentos objetivos.

O debate precisa responder a perguntas concretas:

  • O candidato pretende manter as regras atuais de financiamento mínimo da saúde?

  • Existe proposta formal para alterar o piso constitucional?

  • Se houver mudança, como será calculado o orçamento destinado ao SUS?

  • Como serão financiados medicamentos, vacinas, hospitais, exames e atendimentos especializados?

  • Quais garantias serão oferecidas aos municípios que dependem de transferências federais?

O motivo da preocupação é simples: quando se discute a redução de despesas obrigatórias, é preciso identificar quais despesas seriam atingidas e quais seriam as consequências práticas para os serviços públicos.

Não é correto afirmar que haverá cortes no SUS sem uma proposta confirmada. Também não é prudente ignorar uma discussão sobre o financiamento sem exigir explicações.

Fonte: Folha de S.Paulo — Flávio considera mudar correção da Previdência, da saúde e da educação para obter até R$ 250 bilhões.

4. O que pode acontecer se os recursos forem insuficientes?

O orçamento da saúde influencia diretamente a capacidade de atendimento da rede pública. Quando faltam recursos, planejamento ou gestão, podem surgir dificuldades como:

  • demora para consultas com especialistas;

  • filas para exames e cirurgias;

  • falta temporária de medicamentos e insumos;

  • unidades com equipes incompletas;

  • dificuldades para manter equipamentos e estruturas;

  • maior pressão sobre hospitais e serviços de urgência.

Esses problemas não têm uma única causa. Podem decorrer de falhas de gestão, distribuição inadequada de profissionais, dificuldades de contratação, problemas de compras, aumento da demanda ou insuficiência de recursos.

Da mesma forma, um aumento de orçamento não garante, por si só, a solução de todos os problemas.

Por isso, uma reportagem responsável deve acompanhar não apenas o valor anunciado para a saúde, mas também o dinheiro efetivamente aplicado, os serviços entregues e os resultados alcançados.

A população precisa saber se o investimento resultou em mais consultas, redução das filas, maior disponibilidade de medicamentos e atendimento mais próximo de casa.

5. Farmácia Popular e acesso a medicamentos

Para quem convive com doenças crônicas ou precisa de medicamentos de uso contínuo, programas de acesso a remédios podem representar uma diferença importante no orçamento familiar.

O Farmácia Popular é um exemplo de política pública que precisa ser avaliada considerando o número de beneficiários, os medicamentos disponíveis, a cobertura territorial e a continuidade do financiamento.

Durante a campanha de 2026, o programa entrou no debate eleitoral. Segundo reportagem do UOL publicada em 9 de outubro, Flávio Bolsonaro negou intenção de encerrá-lo, após questionamentos relacionados à ausência do programa entre os destaques de seu plano.

Portanto, não há base para afirmar, apenas com essas informações, que o programa será extinto em um eventual governo. O que cabe ao eleitor é exigir que o compromisso de manutenção seja claro e acompanhado de informações sobre orçamento, cobertura e acesso.

Também é importante observar que a assistência farmacêutica não se resume ao Farmácia Popular: o SUS possui políticas próprias de fornecimento de medicamentos, incluindo tratamentos especializados.

Fonte: UOL — Farmácia Popular é alvo do debate eleitoral; Flávio nega fim do programa.

6. E as propostas de Lula para a saúde?

Na comparação divulgada pelo UOL, Lula apresentou propostas de reforço e ampliação do SUS, com atenção à saúde básica, continuidade do Mais Médicos, expansão da saúde digital e ampliação do atendimento especializado por meio do programa Agora Tem Especialistas.

O conjunto também inclui iniciativas ligadas à Farmácia Popular, à vacinação, à saúde da mulher, à saúde mental e à produção nacional de medicamentos e insumos.

Essas propostas também precisam ser avaliadas com critérios objetivos. É necessário verificar o orçamento previsto, a execução dos programas, a disponibilidade de profissionais, o tempo de espera e a distribuição dos serviços entre as regiões.

Não basta um governo afirmar que defende o SUS, assim como não basta anunciar modernização ou eficiência. O compromisso precisa aparecer em medidas concretas, recursos disponíveis e resultados verificáveis.

A comparação entre candidatos deve considerar o que cada um promete, o que já está em execução, o que depende do Congresso e quais resultados podem ser medidos.

Fonte: UOL — Comparação das propostas de saúde dos candidatos em 2026.

7. O que isso significa para Almas e para o Tocantins?

Em municípios do interior, o acesso à saúde depende não apenas da unidade básica local, mas também da capacidade de encaminhar pacientes para exames, especialistas, tratamentos e hospitais de referência.

Em Almas, uma avaliação séria da saúde pública precisa considerar questões como:

  • disponibilidade de consultas e exames na rede municipal;

  • funcionamento das equipes de atenção básica;

  • abastecimento de medicamentos;

  • transporte de pacientes para atendimentos fora do município;

  • regulação de consultas e procedimentos especializados;

  • articulação entre prefeitura, governo estadual e Ministério da Saúde.

Mudanças no financiamento federal podem ter repercussões nos serviços locais, mas não é correto atribuir automaticamente qualquer dificuldade municipal a uma decisão do governo federal. É preciso verificar a origem dos recursos, a responsabilidade de cada esfera de governo e a execução do orçamento.

A reportagem também deixa uma pergunta para os gestores locais: quais são hoje os principais gargalos da saúde em Almas e quais recursos, obras, equipes e serviços são necessários para enfrentá-los?

Essas respostas podem ser obtidas por meio de dados públicos, relatórios de gestão, informações do Fundo Nacional de Saúde, prestações de contas e manifestações dos responsáveis pela administração municipal.

8. O que o eleitor precisa cobrar dos candidatos?

Antes de acreditar em promessas ou temer previsões, o cidadão pode cobrar respostas diretas:

Sobre o financiamento

  1. O candidato manterá as regras constitucionais atuais de financiamento mínimo da saúde?

  2. Qual será a prioridade orçamentária para o SUS?

  3. Como pretende reduzir filas e ampliar o atendimento sem comprometer os serviços existentes?

Sobre os medicamentos
4. O Farmácia Popular será mantido? Haverá ampliação de cobertura?
5. Como serão garantidos o fornecimento de medicamentos e a assistência farmacêutica?

Sobre o atendimento
6. Quais metas serão estabelecidas para consultas, exames e cirurgias?
7. Como serão fortalecidos os municípios pequenos e as regiões com falta de profissionais?
8. Quais indicadores serão publicados para que a população acompanhe os resultados?

Sobre as despesas obrigatórias
9. Há alguma proposta formal para alterar o piso constitucional da saúde?
10. Se houver mudança nas regras de financiamento, qual será o impacto esperado nos serviços e como a população poderá fiscalizar os resultados?

A democracia não exige que o eleitor aceite promessas sem questionamento. Exige transparência, debate público e possibilidade de cobrar os governantes depois da eleição.

9. Conclusão: saúde pública não pode ser avaliada apenas por discursos

O futuro do SUS depende de financiamento, gestão, profissionais qualificados, planejamento e compromisso com o atendimento universal. A modernização tecnológica pode ajudar, mas precisa alcançar quem mais depende do serviço público.

As propostas de 2026 apresentam caminhos distintos e também pontos que exigem esclarecimento. A discussão sobre possíveis mudanças no financiamento merece atenção, mas deve ser tratada com rigor: estudos atribuídos a equipes econômicas, compromissos de campanha e medidas oficialmente apresentadas são coisas diferentes.

A pergunta que deve orientar o debate é: como cada proposta afetará, na prática, a vida de quem depende do SUS?

É preciso cobrar dos candidatos compromissos claros, acompanhar a execução dos orçamentos e verificar se as promessas se transformam em atendimento real. Afinal, para quem espera uma consulta, precisa de um medicamento ou aguarda uma cirurgia, a saúde pública não é apenas um tema eleitoral. É uma necessidade diária.

Cidade Interativa Almas-TO — Almas noticiada para o mundo.

Fontes e referências

Nota editorial: reportagem elaborada com base nas informações públicas disponíveis em 14 de outubro de 2026. Antes da publicação, recomenda-se conferir eventuais atualizações das propostas, declarações oficiais e documentos orçamentários.

Direitos trabalhistas: o que pode mudar na vida do trabalhador?

Por Cidade Interativa Almas-TO | Reportagem especial

Linha fina: Propostas de flexibilização das relações de trabalho, pagamento por hora, jornada semanal, escala 6x1 e reajuste do salário mínimo colocam em debate os limites da negociação entre patrões e empregados e o papel da legislação na proteção dos trabalhadores brasileiros.

O trabalhador brasileiro poderá ter mais liberdade para negociar sua jornada ou ficar mais dependente das condições oferecidas pelo empregador? A possibilidade de receber por hora trabalhada representa uma nova oportunidade de emprego ou pode resultar em rendimentos mais instáveis? E o que acontece com os direitos garantidos pela Constituição quando uma proposta pretende alterar as regras de contratação?

Essas perguntas estão no centro da segunda reportagem da série Democracia em Debate, do Cidade Interativa Almas-TO. A investigação examina as propostas defendidas pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro para o mercado de trabalho, com atenção especial à flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), à escala 6x1, às negociações individuais, às convenções coletivas, ao salário mínimo e aos encargos trabalhistas.

O debate ganhou destaque em outubro de 2026, com a tramitação de propostas para reduzir a jornada semanal e encerrar a escala de seis dias de trabalho para um de descanso. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro passou a defender uma alternativa baseada no pagamento por hora trabalhada e em maior flexibilidade contratual. São propostas que precisam ser examinadas separadamente, porque podem produzir efeitos diferentes sobre a rotina, a remuneração e a segurança financeira dos trabalhadores.

A pergunta fundamental desta reportagem é: quais mudanças podem ser realizadas, quais direitos já estão protegidos pela Constituição e quais consequências dependeriam do texto definitivo de cada medida?

1. O que Flávio Bolsonaro propõe para o mercado de trabalho?

Em maio de 2026, a Agência Brasil noticiou que Flávio Bolsonaro havia apresentado a integrantes de seu partido uma proposta de flexibilização da CLT, com remuneração por hora trabalhada e possibilidade de o empregado definir seus períodos de atuação. Na ocasião, o senador afirmou que a proposta preservaria direitos como férias, décimo terceiro salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), proporcionalmente às horas trabalhadas.

A proposta foi apresentada como uma alternativa às iniciativas que buscavam reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6x1. A ideia central era ampliar a flexibilidade na relação entre empresas e trabalhadores, permitindo diferentes modalidades de contratação e remuneração.

Em outubro, o debate ganhou novos contornos. Reportagens da Folha de S.Paulo e de outros veículos registraram que Flávio passou a declarar apoio ao fim da escala 6x1, embora continue defendendo maior flexibilidade nas relações de trabalho. A candidatura também sustenta que a redução de custos para as empresas pode incentivar a contratação formal.

Esses posicionamentos precisam ser analisados em conjunto, mas não confundidos. Apoiar o fim da escala 6x1 não significa necessariamente apoiar todas as propostas legislativas sobre jornada, remuneração e contratação. Da mesma forma, defender o pagamento por hora não determina, isoladamente, quais serão as condições de cada contrato.

O ponto que permanece essencial para a investigação é o detalhamento das regras: quantas horas poderão ser contratadas, como serão garantidos os descansos, qual será a remuneração mínima, como funcionarão as horas extras e quais direitos serão preservados independentemente da vontade individual das partes.

Fontes: Agência Brasil, 19 de maio de 2026; Folha de S.Paulo, outubro de 2026.

2. Escala 6x1: o que está em discussão?

A escala 6x1 é um modelo de organização do trabalho no qual o empregado trabalha seis dias e descansa um. Ela é utilizada em diferentes setores, como comércio, supermercados, restaurantes, serviços e atividades que precisam funcionar durante toda a semana.

Para quem trabalha nessa escala, o único dia de descanso semanal pode ser insuficiente para conciliar o trabalho com a vida familiar, os estudos, os cuidados com a casa e o próprio descanso. O impacto depende da jornada diária, do deslocamento, da atividade exercida e da forma como as folgas são distribuídas.

O debate legislativo de 2026 envolve propostas distintas. Uma delas, associada à PEC 221/2019, busca reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, instituindo dois dias de descanso remunerado por semana e preservando a remuneração. Outra proposta, identificada na cobertura jornalística como PEC 12/2026, defende maior flexibilidade contratual, inclusive com remuneração por hora trabalhada.

A diferença é importante. No modelo de redução obrigatória da jornada, a mudança das regras estabelece um limite geral para os empregadores, conforme o texto aprovado. No modelo de maior flexibilidade, a distribuição das horas e a remuneração podem variar de acordo com o contrato, respeitados os limites legais e constitucionais aplicáveis.

Em 14 de outubro de 2026, reportagens informavam que a proposta de redução da jornada estava em fase avançada de tramitação no Senado. A situação legislativa precisa ser conferida no registro oficial antes da publicação, porque a aprovação de uma proposta em uma Casa do Congresso não significa, por si só, que ela já esteja em vigor.

O que está em discussão não é apenas a quantidade de dias trabalhados. É também a maneira como o descanso, a remuneração e a organização do trabalho serão protegidos pela legislação.

3. Pagamento por hora: mais liberdade ou maior instabilidade?

Uma das ideias defendidas por Flávio Bolsonaro é ampliar a possibilidade de remuneração por hora trabalhada. Nesse sistema, o pagamento está relacionado ao número de horas efetivamente contratadas ou realizadas, conforme as condições estabelecidas no vínculo de trabalho.

Esse modelo pode ser utilizado legalmente em determinadas modalidades de contratação. A questão é saber quais regras seriam alteradas para ampliar sua utilização e quais garantias seriam aplicáveis aos trabalhadores.

Se uma pessoa tiver uma quantidade de horas previamente definida, remuneração adequada e proteção dos direitos legais, o pagamento por hora poderá oferecer flexibilidade sem necessariamente produzir instabilidade. Entretanto, se a quantidade de trabalho variar muito de uma semana para outra, a renda mensal também poderá oscilar.

Imagine um trabalhador do comércio que receba por hora e dependa de uma escala variável. Em uma semana, ele pode ser convocado para trabalhar muitas horas; em outra, pode receber menos oportunidades de trabalho. Se não houver garantias suficientes sobre a quantidade de horas, a remuneração e os descansos, o planejamento financeiro da família poderá se tornar mais difícil.

Esse é um cenário possível, não uma consequência inevitável de todo contrato remunerado por hora. O resultado dependerá das condições estabelecidas pela legislação, dos termos do contrato e da fiscalização.

A candidatura de Flávio Bolsonaro afirma que pretende preservar direitos como férias, décimo terceiro salário e FGTS, com pagamentos proporcionais às horas trabalhadas. A reportagem precisa registrar essa posição e verificar como cada direito seria calculado e garantido na proposta formal.

Também é necessário examinar se haveria proteção para os períodos sem convocação, como seriam pagas as horas extras e se a remuneração mínima seria garantida. Sem essas informações, não é possível concluir que o modelo aumentaria necessariamente o emprego, nem afirmar que provocaria automaticamente a precarização de todas as relações de trabalho.

A questão é saber quais garantias acompanhariam a flexibilidade prometida.

4. Negociação individual e convenções coletivas: quem tem mais poder?

Outro ponto central é a diferença entre negociar diretamente com o empregador e negociar por meio de instrumentos coletivos.

Na negociação individual, trabalhador e empresa estabelecem condições para uma relação de trabalho específica, dentro dos limites legais. Na negociação coletiva, sindicatos profissionais e entidades patronais, ou os próprios empregadores conforme o instrumento aplicável, discutem condições que podem alcançar uma categoria ou grupo de trabalhadores.

Flávio Bolsonaro defende maior liberdade para acordos individuais. Os defensores dessa abordagem argumentam que ela pode permitir contratos mais adaptados às necessidades de cada pessoa e às características de cada empresa.

Os críticos destacam que empregado e empregador nem sempre negociam em condições equivalentes. Uma pessoa que depende do salário para pagar aluguel, alimentação e despesas familiares pode ter dificuldade para recusar uma condição que considere desfavorável, especialmente quando existem poucas oportunidades de emprego.

Essa diferença de poder de negociação é uma questão relevante para a elaboração das leis trabalhistas. A liberdade contratual pode ser importante, mas não elimina a necessidade de regras mínimas para proteger o trabalhador.

A Constituição Federal, em seu artigo 7º, reconhece as convenções e os acordos coletivos em diferentes situações, incluindo a possibilidade de negociação sobre determinadas condições de trabalho. A CLT, especialmente após as alterações introduzidas pela Lei nº 13.467/2017, também estabelece hipóteses em que o negociado coletivamente pode prevalecer sobre a legislação ordinária, respeitados os limites legais e constitucionais.

Isso não significa que qualquer acordo individual possa eliminar qualquer direito. A validade de uma cláusula depende do conteúdo, da legislação aplicável e das garantias constitucionais envolvidas.

Por isso, uma eventual ampliação da negociação individual precisaria ser examinada em seu texto concreto. Seria necessário identificar quais condições poderiam ser negociadas, quais continuariam obrigatórias e como o trabalhador poderia contestar cláusulas consideradas ilegais.

5. Quais direitos trabalhistas estão protegidos pela Constituição?

A Constituição Federal de 1988 estabelece uma série de garantias para os trabalhadores urbanos e rurais. Entre elas estão o salário mínimo, o décimo terceiro salário, o FGTS, o repouso semanal remunerado, as férias acrescidas do adicional constitucional, a proteção do salário e os limites gerais de jornada.

O artigo 7º, inciso XIII, estabelece como regra geral uma jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, admitindo compensação de horários e redução da jornada mediante acordo ou convenção coletiva, nos termos constitucionais. A legislação também disciplina situações específicas, adicionais e regimes de trabalho diferenciados.

A Constituição assegura, ainda, a irredutibilidade salarial, salvo as hipóteses previstas em acordo ou convenção coletiva. Para o trabalhador que recebe remuneração variável, o texto constitucional garante salário nunca inferior ao mínimo, observadas as regras aplicáveis.

É importante esclarecer que a existência de um direito na Constituição não impede toda e qualquer mudança legislativa. O que importa é verificar o alcance da garantia e os limites impostos ao legislador. Uma alteração nas regras de jornada, por exemplo, pode ser proposta por meio de legislação ou emenda constitucional, conforme o conteúdo da medida e o procedimento exigido.

Uma proposta de emenda à Constituição precisa cumprir os requisitos previstos no artigo 60, incluindo votação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado, com aprovação de três quintos dos membros de cada Casa. Além disso, não pode sequer ser deliberada quando tender a abolir as cláusulas protegidas pelo parágrafo 4º do mesmo artigo.

Já alterações em regras da CLT podem exigir aprovação de lei ordinária, conforme a matéria, enquanto medidas administrativas precisam respeitar as competências legais do Executivo.

Portanto, a afirmação de que um direito está garantido constitucionalmente não dispensa a análise jurídica de uma proposta concreta. Da mesma forma, uma promessa de campanha não altera automaticamente os direitos atualmente vigentes.

6. Salário mínimo: reajuste pela inflação significa aumento real?

O salário mínimo é outro ponto importante do debate. A Constituição determina que ele seja fixado em lei nacionalmente unificada e tenha reajustes periódicos capazes de preservar seu poder aquisitivo.

Na prática, existe diferença entre corrigir o salário mínimo pela inflação e conceder aumento real. A correção inflacionária procura preservar o valor de compra do dinheiro. O aumento real ocorre quando o reajuste supera a inflação do período considerado.

Em outubro de 2026, a Folha de S.Paulo informou que Flávio Bolsonaro reafirmou o compromisso de reajustar o salário mínimo de acordo com a inflação, sem garantir aumentos reais. A mesma cobertura registrou que a candidatura contesta a acusação de que pretende retirar investimentos sociais.

Essa distinção tem consequências para os trabalhadores que recebem o mínimo e para aposentados e beneficiários cujos pagamentos são vinculados a ele pelas regras aplicáveis.

Se o reajuste apenas acompanhar a inflação, o poder de compra tende a ser preservado no cálculo de referência, mas não há necessariamente ganho real. Se houver aumento acima da inflação, a renda poderá crescer em termos reais, dependendo do índice utilizado, do período de comparação e dos preços efetivamente enfrentados pelas famílias.

Não se deve, porém, concluir que uma política de reajuste apenas inflacionário produzirá automaticamente empobrecimento em todos os casos. O resultado depende também do emprego, da inflação dos diferentes produtos, da tributação, das despesas familiares e de outras políticas econômicas.

A pergunta que a candidatura precisa responder é se pretende adotar uma regra permanente para o salário mínimo, qual índice será utilizado e como a política proposta se relacionará com as despesas públicas e a proteção de renda.

7. Encargos trabalhistas: reduzir custos pode aumentar o emprego?

A redução dos custos de contratação formal é apresentada por defensores de determinadas reformas como uma maneira de estimular empresas a contratar trabalhadores com carteira assinada.

Flávio Bolsonaro também defende medidas para reduzir custos empresariais e ampliar a flexibilidade nas relações de trabalho. Entretanto, para avaliar essas propostas, é necessário identificar exatamente quais encargos seriam reduzidos, qual seria o custo fiscal da mudança e quais contrapartidas seriam exigidas das empresas.

O termo “encargos trabalhistas” reúne obrigações diferentes. Há contribuições previdenciárias, depósitos de FGTS, adicionais, férias, décimo terceiro salário e outros custos que variam conforme o vínculo, a atividade e o regime tributário. Nem todos possuem a mesma natureza jurídica ou podem ser alterados pelo mesmo instrumento legal.

Uma redução de contribuição patronal, por exemplo, não é equivalente à eliminação de um direito diretamente assegurado ao empregado. Dependendo do desenho, a medida pode diminuir o custo da empresa, alterar a arrecadação pública ou exigir compensações orçamentárias.

Também não é possível afirmar que toda redução de encargos produzirá aumento de empregos. O resultado dependerá da atividade econômica, da demanda por produtos e serviços, das condições de crédito, da produtividade e da resposta das empresas.

Para avaliar a proposta, o jornalismo precisa exigir estimativas de impacto, identificar quem seria beneficiado, verificar se haveria compensação para a Previdência e analisar se os incentivos estariam vinculados à criação efetiva de empregos formais.

8. O que pode mudar na vida do trabalhador?

As propostas discutidas podem produzir resultados diferentes, dependendo de sua redação e implementação. A tabela a seguir resume as principais questões que precisam ser acompanhadas.

TemaPossível efeitoO que precisa ser verificado
Escala 6x1Mais dias de descanso, caso a mudança seja aprovada nos termos propostosTexto final, jornada máxima, transição e regras para setores específicos
Pagamento por horaMaior flexibilidade contratual, com possível variação de rendaGarantias de horas, salário mínimo aplicável, descansos e horas extras
Negociação individualContratos mais personalizadosLimites legais, direitos indisponíveis e equilíbrio na negociação
Convenções coletivasCondições negociadas para categorias ou gruposAlcance do instrumento, representação e limites constitucionais
Salário mínimoPreservação do poder de compra ou eventual ganho realÍndice de reajuste, inflação e regra de valorização
Encargos trabalhistasPossível redução de custos para empresasCusto fiscal, contrapartidas e efeitos sobre emprego e Previdência

A tabela apresenta possibilidades analíticas, e não previsões garantidas. Para cada medida, será necessário acompanhar o texto legislativo, a regulamentação, a aplicação prática e os indicadores de resultado.

9. O que o trabalhador de Almas e do Tocantins precisa acompanhar?

Em Almas e em outros municípios do Tocantins, mudanças nas relações de trabalho podem repercutir sobre empregados do comércio, trabalhadores rurais, servidores contratados sob regimes específicos e profissionais de diferentes setores privados. Entretanto, as regras aplicáveis variam conforme o vínculo de trabalho, a categoria profissional e a legislação correspondente.

Para entender como uma mudança afetaria a realidade local, é importante ouvir trabalhadores e empregadores, consultar convenções coletivas vigentes e verificar os registros de emprego formal. Também é necessário distinguir trabalhadores regidos pela CLT de servidores estatutários, trabalhadores autônomos e outras modalidades de prestação de serviços.

Uma investigação local pode perguntar quantos trabalhadores atuam em escalas de seis dias por semana, quais categorias possuem acordos coletivos, como as folgas são distribuídas e quais seriam as dificuldades de adaptação para pequenos negócios.

Também cabe consultar entidades sindicais, associações empresariais, profissionais do Direito do Trabalho e órgãos responsáveis pela fiscalização. O objetivo é verificar os efeitos reais das mudanças, sem presumir que todas as categorias seriam afetadas da mesma maneira.

10. Conclusão: flexibilidade com quais garantias?

O debate sobre os direitos trabalhistas não se resume a escolher entre liberdade de negociação e proteção legal. A questão é compreender quais condições podem ser negociadas, quais garantias devem continuar obrigatórias e como evitar que mudanças legislativas produzam efeitos não previstos.

Flávio Bolsonaro defende maior flexibilidade contratual, pagamento por hora e redução de custos de contratação, além de ter declarado apoio ao fim da escala 6x1. A candidatura afirma que pretende preservar direitos como férias, décimo terceiro salário e FGTS. Essas posições precisam ser confrontadas com os textos das propostas e com os mecanismos previstos para assegurar cada garantia.

Ao mesmo tempo, a discussão sobre a redução da jornada semanal precisa considerar a organização das empresas, as diferenças entre setores, os custos de adaptação e a distribuição dos benefícios entre trabalhadores. Uma análise completa deve ouvir representantes dos empregados, empregadores, especialistas e responsáveis pelas propostas.

O que já está assegurado pela Constituição não pode ser tratado como se dependesse apenas da vontade individual de um patrão ou de um empregado. Mas também não é correto afirmar que toda proposta de flexibilização elimina automaticamente direitos. O efeito jurídico depende do conteúdo da medida, do procedimento utilizado e dos limites constitucionais aplicáveis.

A série Democracia em Debate continuará acompanhando as propostas e sua tramitação, distinguindo promessas, projetos, leis aprovadas e resultados efetivos.

Porque, quando se discute a jornada, o salário e o descanso de milhões de brasileiros, a pergunta essencial não é apenas quanto custa contratar um trabalhador. É também quais condições garantem que o trabalho seja realizado com direitos, segurança jurídica e respeito à dignidade humana.

Cidade Interativa Almas-TO — informação, fiscalização e interesse público.


Fontes consultadas

  • Constituição Federal de 1988 — artigo 7º e artigo 60: Presidência da República.

  • Agência Brasil — Flávio Bolsonaro sugere pagamento por hora em alternativa à escala 6x1, publicado em 19 de maio de 2026: ler reportagem.

  • Folha de S.Paulo — Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre CLT, sindicatos e jornada de trabalho, outubro de 2026: ler reportagem.

  • Folha de S.Paulo — Entenda as propostas pelo fim da escala 6x1 apoiadas por Lula e Flávio Bolsonaro, outubro de 2026: ler reportagem.

  • Câmara dos Deputados — tramitação da PEC 221/2019: consultar portal legislativo.

  • CLT — Decreto-Lei nº 5.452/1943: Presidência da República.

Nota de atualização: a situação das propostas legislativas deve ser conferida nos portais oficiais no dia da publicação. As posições políticas foram descritas conforme as fontes jornalísticas citadas; os possíveis efeitos foram apresentados como cenários condicionais, não como resultados já comprovados.

Reportagem 1 — O que significa a chegada da extrema direita ao poder?

Especial do Cidade Interativa Almas-TO

A democracia está em debate quando uma sociedade precisa decidir até onde vai o poder de um governante, quais direitos devem ser protegidos e como impedir que as instituições sejam utilizadas para concentrar poder nas mãos de uma única pessoa ou grupo político. Mas, afinal, o que significa a chegada da extrema direita ao poder? Quais são as diferenças entre a direita conservadora, a direita radical e a extrema direita? E quais sinais devem ser observados para saber se as propostas de um governo podem colocar em risco a democracia? Essas perguntas exigem mais do que discursos inflamados, disputas eleitorais ou acusações entre adversários. Exigem documentos, fatos, análise histórica e acompanhamento das decisões políticas. Nesta primeira reportagem da série Democracia em Debate, o Cidade Interativa Almas-TO investiga como determinadas propostas e práticas de governo podem afetar as liberdades individuais, os direitos sociais, a imprensa, o Poder Judiciário, o Congresso Nacional e a participação popular. O objetivo é compreender o que está em jogo quando um projeto político chega ao poder e quais mecanismos existem para impedir que a autoridade conquistada nas urnas se transforme em poder sem limites.

O debate ganha importância porque a democracia não se resume à realização de eleições. Um estudo do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral, conhecido como International IDEA, analisa justamente como governos eleitos podem enfraquecer os mecanismos de controle do poder, limitar a competição política e comprometer instituições democráticas. Isso não significa que todo governo de direita ou conservador siga esse caminho. Significa que é necessário observar as ações concretas de cada administração, independentemente de sua orientação política.

International IDEA

E existe uma diferença fundamental entre defender mudanças nas leis, criticar decisões judiciais ou propor reformas administrativas — atitudes legítimas no debate democrático — e tentar eliminar os mecanismos que permitem fiscalizar o governo, contestar suas decisões e substituí-lo por meio de eleições livres. É nessa diferença que começa a investigação desta reportagem. Afinal, quando um governante recebe milhões de votos, ele ganha legitimidade para exercer o cargo dentro das regras constitucionais. Mas não recebe autorização ilimitada para ignorar a Constituição, impedir a fiscalização ou retirar direitos fundamentais da população.

Para compreender o significado político da extrema direita, é preciso reconhecer que as classificações ideológicas variam conforme o contexto histórico e os critérios utilizados pelos pesquisadores. A direita conservadora, em geral, valoriza a preservação de determinadas tradições, instituições e costumes, embora reúna correntes muito diferentes entre si. Já estudos sobre a direita radical e a extrema direita investigam características como o nacionalismo excludente, a rejeição de princípios pluralistas e, em determinadas correntes, a oposição à igualdade democrática. Essas categorias não devem ser aplicadas automaticamente a qualquer político que defenda segurança pública rigorosa, redução de impostos, costumes tradicionais ou políticas econômicas liberais. O trabalho jornalístico precisa examinar discursos, programas, alianças e ações verificáveis. A pergunta relevante não é simplesmente se um político é de direita, mas se suas propostas respeitam a competição democrática, os direitos fundamentais, a independência das instituições e a possibilidade de a oposição continuar atuando livremente. É a análise dessas características, e não apenas o rótulo ideológico, que permite compreender os riscos e os limites de um projeto político.

A história internacional oferece exemplos de como as instituições democráticas podem ser enfraquecidas. Em alguns países, lideranças chegaram ao governo por eleições e, posteriormente, adotaram medidas que reduziram a independência judicial, restringiram a liberdade de imprensa ou dificultaram a atuação de adversários políticos. O relatório Designing Resistance, publicado pelo International IDEA em 2023, reúne mecanismos observados em processos de retrocesso democrático e analisa como estruturas institucionais frágeis podem facilitar a concentração de poder.

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Esses processos nem sempre acontecem por meio de um golpe militar ou da suspensão imediata das eleições. Em determinadas circunstâncias, mudanças graduais nas regras, pressões sobre órgãos de controle e ataques à legitimidade de instituições podem reduzir a capacidade de fiscalização ao longo do tempo. Isso não significa que toda reforma institucional seja autoritária, nem que todos os países sigam a mesma trajetória. Significa que cada mudança precisa ser avaliada pelo seu conteúdo, pelos seus efeitos e pelas garantias que preserva ou elimina. Para o cidadão, acompanhar essas transformações é uma forma de compreender como decisões aparentemente técnicas podem afetar o exercício de direitos.

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabelece princípios essenciais para o funcionamento da democracia, entre eles a soberania popular, o voto periódico, a separação dos Poderes e a proteção dos direitos fundamentais. O artigo 2º define como independentes e harmônicos os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. O artigo 5º protege, entre outros direitos, a liberdade de manifestação do pensamento, a liberdade de expressão e o acesso à Justiça. Além disso, o artigo 60, parágrafo 4º, impede que propostas de emenda constitucional sejam sequer deliberadas quando tendam a abolir a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.

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Essas garantias não impedem que governos eleitos proponham reformas, disputem interpretações jurídicas ou defendam mudanças de políticas públicas. Elas estabelecem, porém, limites constitucionais para o exercício do poder. Por isso, quando uma proposta política envolve alterações no funcionamento das instituições, a investigação deve verificar o texto apresentado, sua compatibilidade com a Constituição, os procedimentos necessários para sua aprovação e os mecanismos de controle disponíveis.

Outro ponto fundamental é a liberdade de imprensa. Em uma democracia, jornalistas precisam ter condições de investigar contratos públicos, questionar autoridades, divulgar informações de interesse coletivo e apontar possíveis irregularidades. Isso não significa que a imprensa esteja acima da lei: jornalistas e veículos também devem responder por eventuais violações legais, respeitando o direito de defesa e as garantias aplicáveis. A questão central é saber se as regras são aplicadas de maneira legítima e se existe espaço para a crítica independente. O mesmo vale para as redes sociais, nas quais convivem liberdade de expressão, circulação de informações, denúncias, discursos de ódio e conteúdos falsos. Debater a regulação dessas plataformas é legítimo. O sinal de alerta aparece quando medidas são utilizadas arbitrariamente para silenciar opositores, impedir a fiscalização pública ou favorecer aliados políticos. A Constituição brasileira assegura a liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, sem eliminar a responsabilidade jurídica por abusos.

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Portanto, qualquer denúncia de censura precisa ser investigada com documentos, decisões judiciais, contexto e análise jurídica, evitando transformar acusações ainda não comprovadas em conclusões definitivas.

E quais sinais devem ser observados quando um governo assume o poder? O primeiro é a relação com as eleições: autoridades aceitam os resultados oficialmente apurados e respeitam a possibilidade de perder disputas futuras? O segundo é o funcionamento das instituições: Congresso, tribunais, órgãos de fiscalização e autoridades eleitorais conseguem exercer suas competências sem intimidação ou interferências indevidas? O terceiro é a liberdade de imprensa: jornalistas podem investigar o governo e divulgar críticas sem sofrer retaliações ilegítimas? O quarto é o tratamento dado à oposição: adversários continuam tendo direitos políticos e oportunidades reais de disputar eleições? O quinto é a proteção das minorias e dos direitos fundamentais: decisões públicas respeitam a igualdade perante a lei e as garantias constitucionais? Esses critérios ajudam a transformar um debate ideológico em uma investigação verificável. O International IDEA utiliza dimensões como representação política, direitos, Estado de Direito e participação para avaliar o desempenho democrático dos países.

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Nenhum indicador isolado determina, por si só, que uma democracia deixou de funcionar. A análise precisa considerar o conjunto de medidas, sua gravidade, sua duração e a capacidade de reação das instituições e da sociedade.

Também é necessário entender que a chegada de um governo ao poder não significa que todas as suas promessas serão automaticamente executadas. No Brasil, propostas podem depender de aprovação do Congresso, disponibilidade orçamentária, regulamentação, decisões judiciais e competências dos estados e municípios. Algumas medidas podem ser adotadas pelo Executivo dentro de suas atribuições; outras exigem alterações legislativas ou constitucionais. Por isso, uma reportagem responsável precisa distinguir quatro situações: aquilo que foi prometido, aquilo que foi formalmente apresentado, aquilo que foi aprovado e aquilo que efetivamente produziu resultados. Também deve verificar se os efeitos atribuídos a uma proposta estão demonstrados por evidências ou representam apenas cenários possíveis. Essa distinção é essencial para examinar temas como direitos trabalhistas, financiamento do SUS, educação pública, Previdência, políticas ambientais e programas sociais. Em vez de afirmar antecipadamente que determinado direito será eliminado ou que um serviço deixará de funcionar, o jornalista deve identificar a medida concreta, explicar os procedimentos necessários e demonstrar quem poderá ser afetado, em quais condições e com que grau de incerteza. Assim, o público terá informações para avaliar os projetos políticos sem depender de rumores ou de promessas de campanha tomadas como resultados garantidos.

Para o cidadão de Almas, no sudeste do Tocantins, essa discussão também tem consequências locais. Decisões tomadas em Brasília podem influenciar transferências de recursos, financiamento de serviços de saúde, programas educacionais, investimentos em infraestrutura e políticas destinadas aos municípios. Entretanto, para demonstrar que uma proposta nacional teria determinado efeito em Almas, é necessário consultar os documentos orçamentários, identificar os programas envolvidos e verificar as regras de distribuição dos recursos. A reportagem poderá ouvir moradores, trabalhadores, professores, profissionais de saúde, agricultores familiares, representantes do Legislativo municipal e especialistas em administração pública. Também poderá consultar dados oficiais sobre repasses federais, despesas municipais e indicadores de atendimento. Dessa maneira, a série Democracia em Debate aproximará a política nacional da vida cotidiana, mostrando como decisões institucionais podem repercutir nas comunidades. O objetivo não será atribuir automaticamente todos os problemas locais a um governo federal, mas identificar responsabilidades, competências administrativas, mudanças efetivamente realizadas e resultados documentados. É assim que o jornalismo contribui para que a população compreenda seus direitos e cobre respostas das autoridades responsáveis.

Chegamos, então, à pergunta que orienta esta primeira reportagem: o que significa a chegada da extrema direita ao poder? A resposta não está apenas no nome de um partido, no discurso de um candidato ou na preferência ideológica de quem vota. Está no conteúdo das propostas, na forma como o poder é exercido e no respeito às regras que permitem a uma sociedade continuar sendo democrática mesmo quando existem profundas divergências políticas. Um governo pode defender mudanças econômicas, reformas administrativas, políticas de segurança rigorosas ou valores conservadores sem, por isso, abandonar necessariamente a democracia. Mas nenhuma maioria eleitoral elimina a obrigação de respeitar a Constituição, permitir a fiscalização pública e garantir que adversários possam disputar o poder dentro das regras democráticas. Por isso, a série Democracia em Debate acompanhará documentos, decisões, votações e resultados, distinguindo fatos comprovados, interpretações e hipóteses. A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira. Exige que as diferenças possam ser discutidas, que os direitos sejam protegidos e que os governantes permaneçam sujeitos às leis. No próximo episódio, o foco será uma questão diretamente ligada à vida de milhões de brasileiros: direitos trabalhistas sob análise — o que pode mudar se propostas de flexibilização das relações de trabalho forem implementadas?

Fontes de referência para a edição


Tocantins define senadores e deputados e terá segundo turno para governador

As eleições de 2026 definiram, no primeiro turno realizado neste domingo, 4 de outubro, os dois senadores, os oito deputados federais e os 24 deputados estaduais que representarão o Tocantins a partir de 2027. Para o Governo do Estado, porém, a disputa ainda não terminou: Professora Dorinha e Vicentinho Júnior avançaram para o segundo turno, que será realizado no dia 25 de outubro.

Para o Senado Federal, os dois candidatos eleitos pelo Tocantins foram Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB). Eduardo Gomes foi o mais votado, enquanto Alexandre Guimarães garantiu a segunda vaga destinada ao estado.

Na disputa pela Câmara dos Deputados, o Tocantins elegeu oito representantes: Professora Janad Valcari (PP), Jair Farias (União Brasil), Lucas Campelo (Republicanos), Ricardo Ayres (Republicanos), Fábio Vaz (Republicanos), Filipe Martins (PL), Sandoval Cardoso (Podemos) e Iratã Abreu (PSDB). Professora Janad Valcari terminou como a candidata mais votada para deputada federal.

Para a Assembleia Legislativa do Tocantins, foram eleitos 24 deputados estaduais: Eduardo Fortes, Leo Barbosa, Moisemar Marinho, Vilmar, Luciano Oliveira, Cleiton Cardoso, Dr. Danilo Alencar, Vanda Monteiro, Claudia Lelis, Raul Cayres, Wiston Gomes, Gipão, Valdemar Júnior, Eduardo do Dertins, Nilton Franco, Marcus Marcelo, Jorge Frederico, Marcos Junior, Toinho Andrade, Ivory de Lira, Paulinho do Bonifácio, Katia Chaves, Eduardo Madruga e Marcos Duarte. Eduardo Fortes foi o candidato mais votado para a Assembleia Legislativa.

Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado no Tocantins no primeiro turno, ficando à frente de Lula no estado. Entretanto, o resultado estadual não define a eleição presidencial: em âmbito nacional, Flávio Bolsonaro e Lula avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Já na disputa pelo Governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB) foram os dois candidatos mais votados e disputarão o segundo turno. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Dorinha terminou o primeiro turno com 45,75% dos votos válidos, enquanto Vicentinho Júnior obteve 43,72%. A decisão sobre quem governará o Tocantins será tomada pelos eleitores no dia 25 de outubro de 2026.

Com isso, o cenário eleitoral do Tocantins fica parcialmente definido: Eduardo Gomes e Alexandre Guimarães ocuparão as duas vagas em disputa no Senado; oito deputados federais representarão o estado na Câmara dos Deputados; 24 deputados estaduais formarão a nova composição da Assembleia Legislativa; e a eleição para governador será decidida em segundo turno entre Professora Dorinha e Vicentinho Júnior.

BETs em Xeque: O Futebol, o Vício e a Disputa por Bilhões

A expansão das apostas esportivas transformou a relação do brasileiro com o futebol e acendeu alertas sobre manipulação de resultados, endividamento e dependência; agora, o governo tenta interromper esse ciclo com novas medidas de restrição ao setor.


Bets em xeque, o futebol, o vicio e as disputas por bilhões
Rinaldo da Nóbrega



Durante décadas, o futebol brasileiro foi marcado pela imprevisibilidade. Era o jogo do domingo, a conversa na calçada, a camisa do time, a emoção de um gol nos últimos minutos e aquela sensação de que, dentro das quatro linhas, qualquer resultado era possível. Mas o futebol mudou. E uma das transformações mais profundas aconteceu quando as apostas esportivas passaram a ocupar espaço cada vez maior no ambiente esportivo. A questão deixou de ser apenas quem venceria uma partida. Passou-se a apostar em escanteios, cartões, número de gols, faltas e acontecimentos específicos durante os 90 minutos. Com isso, cada detalhe do jogo passou a ter valor financeiro para alguém. E justamente aí surge uma preocupação que ultrapassa a paixão pelo esporte: a integridade das competições. O próprio governo brasileiro passou a tratar a manipulação de resultados como um problema que exige prevenção, fiscalização e repressão. Em março de 2026, foi instituída a Política Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Manipulação de Resultados Esportivos, enquanto o Ministério da Justiça publicou um manual específico para combater fraudes relacionadas às competições esportivas e ao mercado de apostas.

Isso não significa afirmar que toda partida com resultado inesperado, cartão amarelo ou expulsão tenha sido manipulada. Uma acusação dessa natureza precisa de investigação e provas. O problema é que o próprio modelo das apostas cria mercados nos quais acontecimentos isolados da partida podem representar dinheiro. Um cartão recebido por determinado jogador, por exemplo, pode fazer parte de uma aposta específica. Por isso, quando surgem investigações sobre atletas ou integrantes do futebol envolvidos em possíveis manipulações, o assunto deixa de ser apenas esportivo e passa a envolver também segurança, fiscalização e confiança pública. O futebol precisa continuar sendo reconhecido pelo que acontece dentro de campo, e não pela possibilidade de alguém lucrar com a alteração deliberada de um acontecimento esportivo. É justamente para enfrentar esse risco que o Estado brasileiro passou a ampliar mecanismos de fiscalização e combate às fraudes.

E existe outro lado dessa história: o impacto sobre quem está do outro lado da tela, fazendo as apostas. O Ministério da Saúde passou a tratar o uso problemático de apostas como uma questão de saúde pública. Segundo o governo, as plataformas digitais podem utilizar recursos como notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis, mecanismos que podem estimular a permanência e a repetição das apostas. O problema pode ultrapassar a simples perda de dinheiro e atingir a saúde mental, o relacionamento familiar, a rotina profissional e a vida social. O governo também informa que o transtorno do jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo.

Foi nesse contexto que o governo federal anunciou, em 25 de setembro de 2026, uma mudança radical na política nacional para o setor. A Medida Provisória nº 1.394 proibiu, em território brasileiro, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo tanto as apostas sobre eventos esportivos quanto os jogos on-line. A medida também alcança concessões e autorizações estaduais e distritais. O governo apresentou a decisão juntamente com ações voltadas à proteção de famílias endividadas e ao enfrentamento dos problemas relacionados às apostas. A MP tem força de lei imediatamente, mas, como toda medida provisória, está sujeita ao processo constitucional de apreciação pelo Congresso Nacional.

A discussão, portanto, já não é apenas sobre futebol. É sobre até onde uma sociedade deve permitir que o entretenimento seja transformado em uma atividade de risco financeiro permanente. Antes, o torcedor assistia à partida esperando o gol. Com a expansão das apostas, passou a existir quem acompanhasse cada escanteio, cada cartão e cada minuto pensando no dinheiro colocado em jogo. Para algumas pessoas, a diversão terminou se transformando em dívida, ansiedade e perda de controle. O próprio Ministério da Saúde reconhece que o jogo problemático pode comprometer o orçamento familiar e recomenda procurar ajuda quando a pessoa não consegue reduzir ou interromper as apostas.

E o fenômeno não se limita às apostas esportivas. Os chamados jogos on-line, incluindo modalidades popularizadas nas redes sociais, também entraram no debate. O problema central não está apenas no nome de determinado jogo, mas no mecanismo: colocar dinheiro em risco repetidamente diante da expectativa de obter um prêmio. Quando esse comportamento passa a consumir renda, comprometer relações familiares ou gerar a tentativa compulsiva de recuperar perdas, deixa de ser simplesmente entretenimento e pode se transformar em problema de saúde. O governo já disponibiliza mecanismos de autoexclusão para impedir o acesso às plataformas autorizadas e o SUS passou a oferecer atendimento especializado para pessoas afetadas e também para familiares.

A grande pergunta agora é o que acontecerá depois da proibição. Encerrar legalmente a operação das bets não significa, por si só, eliminar o comportamento de apostar. Será necessário fiscalizar plataformas clandestinas, bloquear meios de pagamento utilizados ilegalmente, combater publicidade irregular, proteger crianças e adolescentes e oferecer tratamento para quem já desenvolveu dependência. O próprio Ministério da Fazenda vinha utilizando mecanismos de bloqueio de sites ilegais, restrição de transferências financeiras e fiscalização dos operadores. Agora, com a nova medida provisória, o desafio passa a ser ainda maior: transformar a proibição prevista na legislação em uma realidade efetiva no cotidiano dos brasileiros.

No futebol, a discussão também deixa uma lição. A paixão pelo esporte depende da confiança de que o resultado é decidido pelos jogadores, pela estratégia, pelo talento, pelos erros e pelos acertos dentro de campo. Quando existe suspeita de que um cartão, um escanteio ou uma jogada possa ter sido provocado deliberadamente para atender a interesses financeiros, a credibilidade da competição é atingida. Por isso, combater a manipulação de resultados não significa apenas proteger quem aposta. Significa proteger o próprio esporte. E, para quem está endividado ou enfrentando dificuldade para controlar as apostas, a mensagem das autoridades de saúde é direta: existe ajuda disponível. O SUS oferece atendimento, o Meu SUS Digital disponibiliza ferramentas de avaliação e a plataforma de autoexclusão permite bloquear o acesso às casas de apostas autorizadas.


Rinaldo da Nóbrega
Almas-TO

Pesquisas registradas no TSE mostram cenário ainda disputado na eleição para o Governo do Tocantins


Levantamentos eleitorais realizados em setembro e registrados na Justiça Eleitoral mostram um cenário de disputa entre os principais candidatos ao Governo do Tocantins. Embora pesquisas recentes apresentem a candidata Professora Dorinha numericamente à frente em alguns cenários, os resultados variam de acordo com o instituto, a metodologia e o período de realização das entrevistas. Os dados disponíveis, portanto, não apresentam uma fotografia única da corrida eleitoral e não permitem afirmar, com base apenas nas pesquisas públicas, que a eleição esteja definida.

Entre os levantamentos realizados em setembro está a pesquisa do Instituto Veritá, registrada no TSE sob o número TO-09060/2026. O trabalho de campo ocorreu entre os dias 7 e 12 de setembro, com 1.220 entrevistados. Considerando os votos válidos, Dorinha aparece com 43,8%, enquanto Vicentinho registra 39,3%. Laurez Moreira aparece com 8,9%, Ataídes Oliveira com 6,8%, Witer Naves com 1,1% e Du Pereira com 0,2%. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, o que coloca os dois primeiros candidatos dentro de uma situação de empate técnico.

Outro levantamento realizado posteriormente foi o do Paraná Pesquisas, contratado pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO) e registrado sob o número TO-08578/2026. A pesquisa entrevistou 1.504 eleitores entre os dias 12 e 14 de setembro, em 75 municípios. No cenário estimulado, Dorinha aparece com 40,6%, seguida por Vicentinho, com 34,1%. Laurez registra 6,5%, Siqueira Campos Júnior 4,9%, Ataídes 2,8%, Du Pereira 0,5% e Witer Naves 0,3%. Brancos e nulos somaram 5,5%, enquanto 4,9% não souberam ou não responderam. Nos votos válidos, Dorinha aparece com 45,3% e Vicentinho com 38,1%.

Também realizada em setembro, a pesquisa Real Time Big Data, registrada sob o número TO-05805/2026, entrevistou 1.600 pessoas entre 10 e 14 de setembro. O levantamento apresentou Dorinha com 35% das intenções de voto e Vicentinho com 33%. Laurez aparece com 9%, Ataídes com 6% e Witer Naves com 4%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença entre os dois primeiros está dentro do intervalo de empate técnico. No cenário de segundo turno entre Dorinha e Vicentinho, o levantamento apontou 43% para Vicentinho e 41% para Dorinha, também dentro da margem de erro.

A série histórica do próprio Real Time Big Data também merece atenção. Em comparação com o levantamento anterior do instituto, Vicentinho passou de 30% para 33%, enquanto Dorinha avançou de 33% para 35%. Dessa forma, dentro dessa sequência específica de pesquisas, os dois candidatos apresentaram crescimento, enquanto a distância entre eles passou de três para dois pontos percentuais.

Outro levantamento divulgado em setembro foi registrado sob o número TO-08421/2026, com 1.600 entrevistados. A coleta ocorreu entre 31 de agosto e 8 de setembro, portanto parte do trabalho de campo aconteceu ainda no mês de agosto. Nesse levantamento, Vicentinho apareceu com 41% e Dorinha com 33%, enquanto Laurez registrou 6%. Por ter período de coleta diferente dos demais levantamentos, os números não devem ser tratados como uma fotografia exclusivamente do eleitorado de setembro.

Também consta entre os registros a pesquisa do Instituto Lucro Ativo, número TO-09869/2026, realizada entre 7 e 12 de setembro, com 800 entrevistados em Palmas. Na pesquisa espontânea para governador, Dorinha aparece com 31,75% e Vicentinho com 18,13%. Entretanto, houve decisão judicial suspendendo a divulgação das questões relativas à intenção estimulada e à rejeição para governador. Por isso, esses dados estimulados não devem ser utilizados como resultado público válido sem a devida contextualização.

O que dizem os números?

A comparação dos levantamentos revela diferenças importantes entre as pesquisas. Dorinha aparece numericamente à frente em três dos levantamentos recentes analisados, enquanto uma pesquisa cuja coleta ocorreu entre o final de agosto e o início de setembro apresentou Vicentinho na liderança. Além disso, nos levantamentos Veritá e Real Time, as diferenças entre os dois primeiros candidatos estão dentro das respectivas margens de erro.

O cenário também precisa ser analisado considerando o período em que cada pesquisa foi realizada. Pesquisas eleitorais são fotografias de determinado momento e podem apresentar resultados diferentes quando realizadas em datas distintas, especialmente em uma eleição ainda em andamento.

E a informação sobre uma suposta pesquisa interna com 52%?

A informação publicada recentemente pelo Jornal Opção Tocantins, segundo a qual integrantes da campanha de Vicentinho Júnior já estariam considerando uma possível derrota e teriam acesso a uma pesquisa interna apontando Dorinha acima de 52%, deve ser tratada separadamente dos levantamentos registrados no TSE.

Até o momento, entre as pesquisas públicas analisadas e registradas na Justiça Eleitoral, não aparece um levantamento de setembro que apresente Dorinha com 52% das intenções de voto no primeiro turno. Isso não permite afirmar que uma eventual pesquisa interna não exista, já que campanhas podem contratar levantamentos que não são divulgados publicamente. Entretanto, o número de 52% não deve ser apresentado como resultado de uma pesquisa eleitoral pública registrada no TSE sem a apresentação do respectivo levantamento e de sua metodologia.

Conclusão

Os dados disponíveis mostram uma eleição para o Governo do Tocantins marcada por diferenças entre os levantamentos. Dorinha aparece à frente em pesquisas recentes do Veritá, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data, mas os resultados do Veritá e do Real Time colocam os dois principais candidatos dentro da margem de erro. Já outro levantamento, com coleta iniciada em agosto, apresentou Vicentinho numericamente na liderança.

Dessa forma, as pesquisas registradas na Justiça Eleitoral permitem identificar tendências e diferenças entre os levantamentos, mas não permitem afirmar que o resultado da eleição esteja definido. A informação sobre uma suposta pesquisa interna com Dorinha acima de 52% permanece como informação atribuída a fontes de bastidores e não deve ser confundida com os resultados das pesquisas eleitorais públicas registradas no TSE.

Para o eleitor, a principal informação é que os levantamentos representam diferentes momentos e metodologias. A análise responsável exige observar o instituto, o período de coleta, o tamanho da amostra, a margem de erro, o cenário pesquisado e o registro no TSE antes de tirar conclusões sobre a disputa eleitoral.

Fontes: TSE/PesqEle, Veritá, Paraná Pesquisas/FIETO, Real Time Big Data e as reportagens que divulgaram os levantamentos.

Beneficios do Governo Federal soma 596,4 milhões de reais na cidade de Almas-TO

 Em Almas/TO, os dados do governo federal mostram um total de R$ 596,4 milhões em recursos federais de 2023 a 2026: 

 Fomento À Produção Agrícola, Pecuária e Pesca: 

• Plano Safra - Agronegócio — Valor Agronegócio: R$ 284,3 milhões (2023–2026), sendo R$ 74,3 milhões em 2025 

• Plano Safra - Agricultura Familiar — Valor Agricultura Familiar - PRONAF: R$ 1,2 milhão (2023–2026), sendo R$ 351 mil em 2025 

 Transferências: 

• Transferências para estados e municípios — Total transferido ao município no ano: R$ 119,2 milhões (2023–2026), sendo R$ 38,7 milhões em 2025

 Incentivo ao Desenvolvimento Produtivo: 

• Nova Indústria Brasil — Plano Mais Produção (P+P) - Valor Investimento: R$ 76,1 milhões (2023–2025), sendo R$ 34,5 milhões em 2025

 • Acredita - PRONAMPE — Valor Contratado: R$ 1,3 milhão (2023–2026), sendo R$ 307 mil em 2025 

 Transferências aos Cidadãos: 

• Benefícios Previdenciários — Valor Pago - Benefícios Previdenciários: R$ 54,0 milhões (2023–2026), sendo R$ 19,1 milhões em 2025 

• Bolsa Família — Valor transferido - Bolsa Família: R$ 30,6 milhões (2023–2026), sendo R$ 8,8 milhões em 2025

 • BPC — Valor transferido - BPC: R$ 11,2 milhões (2023–2026), sendo R$ 3,7 milhões em 2025

 • Seguro-Desemprego — Valor pago - Seguro-Desemprego: R$ 4,1 milhões (2023–2026), sendo R$ 1,0 milhão em 2025 

 Minha Casa Minha Vida: 

• MCMV — OGU - Valor Financiado: R$ 3,2 milhões (2025)

 • MCMV — FGTS - Valor Financiado: R$ 2,4 milhões (2023–2026), sendo R$ 1,3 milhão em 2025

 • MCMV — OGU - Valor das obras retomadas: R$ 1,5 milhão (2026) (ano em andamento)

 Saúde: 

• Piso Enfermagem — Valor transferido ao município: R$ 2,0 milhões (2023–2026), sendo R$ 761 mil em 2025

 Educação: 

• Pé-de-Meia — Valor Pago: R$ 1,9 milhão (2024–2026), sendo R$ 924 mil em 2025 

• PNAE — Valor Repassado: R$ 735 mil (2023–2026), sendo R$ 181 mil em 2025

 • Educação em Tempo Integral — Valores repassados para apoiar o município desde 2023: R$ 203 mil (2025) 

 Proteção Social:

 • FNAS — Repasse Municipal - Fundo Nacional de Assistência Social: R$ 876 mil (2023–2026), sendo R$ 233 mil em 2025

 Renegociação de Dívidas: 

• Desenrola Brasil 2023/2024 — Saldo devedor antes da negociação - Faixa 1: R$ 372 mil (2024)

Fontes: Ministério da Agricultura, Ministério da Fazenda, Ministério da Previdência Social, Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério do Trabalho, Ministério das Cidades, Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Ministério do Empreendedorismo e Ministério do Desenvolvimento Agrário. Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Ministério da Fazenda (MF), Ministério da Previdência Social (MPS), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério das Cidades (MCID), Ministério da Saúde (MS), Ministério da Educação (MEC), Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

XI Encontro Diocesano do Terço dos Homens foi realizado em Gurupi-TO




Ocorreu nos dias 29 e 30 de agosto o XI Encontro Diocesano do Terço dos Homens na Casa de Maria, em Gurupi, para nós a participação já começou na viagem do dia 29 de agosto com os participantes do terço se reunindo na Igreja, resando dentro do onibus e recebendo a benção do nosso paroquiano Padre Leandro Lemes, a viagem teve duração de 5 horas até Gurupi, fomos recepcionados pelos organizadores que nos levou para a escola onde ficariamos alojados, a programação começou com louvor no dia 29 de agosto as 19:00 horas seguindo com a adoração ao santissimo e o rosário completo até as 23:00 horas, um dia de reflexão, de orações e de muita fé, estiveram presentes no evento caravanas de todas as regiões do estado, em grande parte caravanas que faziam parte da Diocese de Porto Nacional. 

O Terço dos homens reunião aproximadamente 600 participantes no evento, o ponto auto do primeiro dia foi a entrada do Santissimo que levou muitos participantes a se emocionar, no segundo dia, dia 30 de agosto após o café da manhã entrou em cena o Diacono Melquisedec do Rio de Janeiro com o tema Família no projeto de Deus, seguido pela segunda pregação do padre Josiney de Palmas com o tema: O homem cristão no mundo: Fé, trabalho, caráter e Testemunho. Pe. José Ney (Palmas). a terceira pregação foi novamente com o Diácono Melquisedec do Rio de Janeiro com o tema: São José modelo de homem cristão, 

que já foi no periodo da tarde Quarta Pregação com o Padre Adriano José de Gurupi-TO com o tema: O homem como sacerdote do lar: liderança espiritual e missão dentro de casa

Paróquia São Miguel e Almas celebrou solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu

A Paróquia São Miguel e Almas em Almas, Estado do Tocantins, celebrou, neste sábado, a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, uma das importantes celebrações do calendário litúrgico da Igreja Católica. A solenidade reuniu fiéis em um momento de oração, reflexão e devoção mariana, destacando a importância de Maria na vida da Igreja e na fé dos cristãos.

A celebração recorda a fé da Igreja de que Maria, ao término de sua vida terrena, foi elevada à glória do Céu. Para os católicos, a Assunção representa a participação singular de Nossa Senhora na vitória de Cristo sobre a morte e aponta também para a esperança da vida eterna prometida aos que permanecem unidos a Deus.

Durante a celebração, os fiéis foram convidados a contemplar a trajetória de Maria, marcada pela disponibilidade, humildade e confiança na vontade divina. Desde o anúncio do anjo até sua presença junto à comunidade dos discípulos, Maria é apresentada pela tradição cristã como exemplo de fé e obediência a Deus.

A solenidade também possui forte significado para a espiritualidade mariana da comunidade. A presença dos fiéis demonstra como a devoção a Nossa Senhora permanece profundamente ligada à vida das famílias e das comunidades católicas. Orações, cânticos e momentos de silêncio ajudam a criar um ambiente de recolhimento e comunhão durante a celebração.

A liturgia da solenidade apresenta Maria como sinal de esperança. Sua Assunção é compreendida pela Igreja não apenas como uma honra concedida à mãe de Jesus, mas também como uma antecipação daquilo que os cristãos esperam alcançar na vida eterna. Dessa forma, a celebração conduz os fiéis a refletirem sobre a própria caminhada de fé e sobre o compromisso de viver segundo os ensinamentos de Cristo.

Outro aspecto destacado durante a solenidade é o papel de Maria como mãe de Jesus e figura presente na história da salvação. A devoção mariana, entretanto, está diretamente relacionada a Cristo, centro da fé cristã. Ao celebrar Maria, a Igreja também recorda a obra de Jesus e a esperança da ressurreição.

Para a comunidade da Paróquia São Miguel e Almas, a celebração foi ainda uma oportunidade de fortalecer os vínculos entre os fiéis e renovar a caminhada comunitária. A participação nas celebrações litúrgicas representa um dos momentos centrais da vida paroquial, reunindo pessoas de diferentes idades em torno da oração e da Eucaristia.

A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu é celebrada pela Igreja em 15 de agosto. A data ocupa lugar especial no calendário litúrgico e é marcada por celebrações em comunidades católicas de diferentes partes do mundo.

Ao final da celebração, permaneceu entre os participantes a mensagem de esperança associada à solenidade: a exemplo de Maria, a caminhada cristã deve ser marcada pela fé, pela confiança em Deus e pelo compromisso com o Evangelho. Para a comunidade paroquial, a celebração reafirma a devoção a Nossa Senhora e fortalece a união dos fiéis em torno da fé católica.

A solenidade celebrada pela Paróquia São Miguel e Almas mantém viva uma tradição religiosa que atravessa gerações. Entre orações, cânticos e momentos de comunhão, a comunidade voltou seus olhos para Maria, celebrando sua Assunção e renovando a esperança cristã na vida eterna.

Romaria do Senhor do Bonfim: fé, tradição e memória que atravessam gerações em Natividade



Todos os anos, quando chega o mês de agosto, o Tocantins vive um dos momentos mais fortes de sua tradição religiosa. Em Natividade, cidade histórica localizada na região sudeste do estado, milhares de pessoas deixam suas casas, enfrentam longas caminhadas, o calor, a poeira e o cansaço para seguir em direção ao povoado do Senhor do Bonfim. Não se trata apenas de uma festa religiosa. A Romaria do Senhor do Bonfim é uma manifestação que reúne fé, história, cultura, memória e identidade, transformando as estradas e o pequeno povoado em um dos principais pontos de encontro da religiosidade tocantinense. A Diocese de Porto Nacional classifica o festejo como a maior e mais tradicional festa religiosa do Tocantins e informa que a celebração atrai anualmente milhares de romeiros.

A história da devoção está ligada a uma tradição que atravessa mais de dois séculos. Segundo a narrativa popular, em 1750, um vaqueiro encontrou uma pequena imagem de Jesus Crucificado enquanto conduzia o gado na região onde hoje está localizado o povoado do Bonfim, a cerca de 24 quilômetros de Natividade. O homem teria levado a imagem para a cidade, mas, posteriormente, ela desapareceu e foi encontrada novamente no mesmo lugar onde havia sido localizada originalmente. Para os moradores, aquele acontecimento foi interpretado como um sinal de que a imagem deveria permanecer naquele território. A tradição conta que, a partir daí, foi construída uma pequena ermida para abrigar a imagem, dando origem a uma devoção que cresceria ao longo das gerações.

Mais do que a narrativa de uma imagem que retorna ao local de origem, essa história representa a maneira como a religiosidade popular foi sendo construída no interior do Brasil. Em uma época em que as comunidades eram pequenas, as distâncias enormes e os deslocamentos difíceis, a fé funcionava também como elemento de união social. O culto ao Senhor do Bonfim foi se espalhando pela região e permaneceu vivo mesmo com as profundas transformações econômicas, políticas e territoriais ocorridas ao longo dos séculos. Natividade, que nasceu no contexto da expansão da mineração para o Brasil Central, guarda justamente as marcas desse passado. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reconhece a importância de seu conjunto histórico, tombado desde 1987, formado por ruas estreitas, casarões e igrejas que preservam características da ocupação colonial.

É nesse cenário histórico que a Romaria ganha uma dimensão ainda maior. Durante os dias do festejo, a movimentação começa muito antes de o romeiro chegar ao santuário. Para muitos, a própria caminhada já faz parte da promessa. São quilômetros percorridos a pé, algumas vezes durante o dia, outras durante a madrugada, em grupos de familiares e amigos ou individualmente. O percurso transforma a estrada em espaço de oração, silêncio, conversa, encontro e agradecimento. Há quem caminhe para pedir uma graça, quem vá agradecer uma bênção recebida e quem mantenha uma promessa feita anos antes. A distância deixa de ser apenas uma medida física e passa a representar o tamanho da fé de cada peregrino.

A caminhada entre Natividade e o povoado do Senhor do Bonfim é uma das imagens mais marcantes da romaria. Registros jornalísticos apontam um percurso de aproximadamente 23 quilômetros, realizado por numerosos peregrinos em diferentes horários. Sob o sol forte do Tocantins ou durante as horas mais frescas da madrugada, os passos se sucedem pela estrada. O cenário é simples, mas carregado de significado: pessoas carregando água, pequenas bolsas, objetos religiosos e, principalmente, a esperança de chegar ao destino. Em determinados momentos, o silêncio predomina; em outros, as orações, cânticos e conversas entre os participantes dão à caminhada uma atmosfera coletiva.

A força da romaria também pode ser percebida nas histórias individuais que formam o grande mosaico da festa. Cada romeiro chega ao Bonfim carregando uma história particular. Alguns relatam pedidos relacionados à saúde; outros agradecem por conquistas pessoais, familiares ou profissionais. Há ainda aqueles que participam porque aprenderam a devoção dentro de casa e receberam dos pais e avós a responsabilidade de manter viva uma tradição familiar. Dessa maneira, a romaria não é transmitida apenas por documentos ou registros históricos. Ela é ensinada pelos gestos, pelas promessas, pelas caminhadas e pela presença das novas gerações.

Em 2025, relatos publicados durante o festejo mostraram justamente essa dimensão humana da peregrinação. Romeiros de diferentes idades e regiões foram ouvidos durante o evento, revelando histórias de fé, superação e agradecimento. A reportagem registrou ainda a grande concentração de pessoas no povoado durante os dias da celebração. Esses relatos ajudam a compreender por que uma manifestação iniciada no século XVIII continua mobilizando pessoas no século XXI. A explicação não está apenas na tradição religiosa, mas na capacidade que a romaria possui de conectar experiências pessoais a uma memória coletiva.

A programação de 2026 confirma a permanência dessa tradição no calendário cultural e religioso do Tocantins. De acordo com o planejamento divulgado pelo Governo do Estado, o festejo deste ano acontece entre os dias 6 e 17 de agosto, período em que Natividade recebe milhares de romeiros. O planejamento envolve diferentes órgãos estaduais, demonstrando que uma manifestação dessa dimensão exige estrutura para atender os visitantes, organizar o trânsito, garantir segurança, saúde e apoio aos peregrinos. O calendário oficial de eventos tradicionais do Tocantins também registra a Romaria do Senhor do Bonfim entre os dias 6 e 17 de agosto, com o dia 15 dedicado à celebração do Senhor do Bonfim.

Mas a importância da romaria ultrapassa os limites da religião. Durante o período do festejo, o movimento de pessoas também repercute na economia local. Comerciantes, vendedores ambulantes, pequenos empreendedores, prestadores de serviços e trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente na organização encontram na festa uma oportunidade de trabalho e geração de renda. O fluxo de visitantes movimenta hospedagens, alimentação, transporte, comércio e outros serviços. Ao mesmo tempo, a presença de milhares de pessoas coloca desafios para o município, que precisa conciliar o acolhimento dos visitantes com a preservação de seu patrimônio, do meio ambiente e da qualidade de vida da população.

Natividade possui uma característica que torna essa experiência ainda mais especial. A cidade é reconhecida pelo seu patrimônio histórico e cultural, formado por um conjunto urbano colonial preservado. Segundo o Iphan, o tombamento realizado em 1987 está relacionado à vinculação da cidade com o modo de urbanização do século XVIII. O conjunto inclui ruas irregulares, casarões e igrejas que revelam diferentes períodos da história econômica da região, desde a mineração até a expansão da pecuária. Assim, quem participa da Romaria do Senhor do Bonfim não encontra apenas uma celebração religiosa, mas também um território onde diferentes camadas da história do Tocantins permanecem visíveis.

Essa combinação entre fé e patrimônio ajuda a explicar a dimensão cultural da festa. Natividade possui tradições que vão além da religiosidade. O Iphan destaca entre suas referências culturais as danças, a música, os ritos religiosos, a culinária e a produção de joias em filigrana. Em 2025, a ourivesaria de Natividade foi reconhecida oficialmente pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, reforçando a importância das tradições transmitidas pelos artesãos locais. A Romaria, nesse contexto, integra um conjunto muito mais amplo de manifestações que ajudam a definir a identidade cultural da cidade.

No centro de tudo permanece a devoção ao Senhor do Bonfim. O santuário localizado no povoado tornou-se o ponto de chegada de uma caminhada que, para muitos, começa muito antes do primeiro passo. A preparação envolve promessas, orações, organização das famílias e a expectativa pelo reencontro com um lugar considerado sagrado. Para o romeiro, chegar ao santuário não significa simplesmente concluir um percurso. Significa cumprir uma promessa, agradecer uma graça, renovar a fé ou simplesmente manter viva uma tradição recebida de outras gerações.

A romaria também revela uma característica marcante da religiosidade popular brasileira: a participação espontânea do povo na construção e preservação das tradições. São os romeiros que, geração após geração, mantêm os caminhos ocupados, repetem as orações, contam novamente a história da imagem encontrada pelo vaqueiro e ensinam às crianças o significado daquela caminhada. A tradição permanece porque é vivida. E, enquanto houver pessoas dispostas a caminhar, agradecer e transmitir essa memória, a história continuará sendo contada.

Ao longo de mais de dois séculos, muita coisa mudou no território que hoje conhecemos como Tocantins. O antigo espaço ligado à mineração transformou-se, cidades cresceram, estradas foram abertas, novas tecnologias chegaram e a sociedade passou por profundas mudanças. A devoção ao Senhor do Bonfim, entretanto, encontrou maneiras de permanecer. A cada agosto, a história retorna pelas estradas, nas vozes dos romeiros, nas orações diante do santuário e nos encontros entre pessoas que chegam de diferentes lugares.

Por isso, compreender a Romaria do Senhor do Bonfim é compreender também uma parte importante da história de Natividade e do próprio Tocantins. A festa reúne passado e presente, tradição e renovação, devoção individual e experiência coletiva. É uma manifestação que nasceu em uma pequena comunidade do século XVIII e alcançou dimensões capazes de reunir milhares de pessoas no Tocantins contemporâneo. E talvez seja justamente essa continuidade que explique sua força: a cada geração, novos pés percorrem o caminho, novas promessas são feitas e novas histórias são incorporadas a uma memória que já atravessa mais de 270 anos.

Quando agosto chega e as estradas começam a receber os primeiros romeiros, Natividade muda de ritmo. O movimento cresce, o povoado se prepara e o caminho para o Bonfim volta a ser ocupado por pessoas que carregam consigo histórias que não aparecem nos livros. São histórias de fé, agradecimento, esperança e tradição. Cada passo acrescenta uma nova página à história da romaria. E quando o peregrino finalmente avista o destino, depois de quilômetros de caminhada, aquilo que parecia ser apenas uma estrada revela seu verdadeiro significado: um caminho de memória, devoção e pertencimento que continua unindo gerações em torno do Senhor do Bonfim.

ELEIÇÕES 2026: TOCANTINS ENTRA NA FASE DE REGISTRO DAS CANDIDATURAS

Eleições 2026 por Rinaldo da Nóbrega

Após as convenções, começa uma nova etapa

Após as movimentadas convenções partidárias realizadas no Tocantins, uma nova etapa do processo eleitoral teve início: o período para registro das candidaturas aos cargos de governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Os partidos políticos e as federações partidárias têm até o dia 15 de agosto de 2026 para solicitar o registro de suas candidaturas junto à Justiça Eleitoral.

Neste primeiro momento, ao consultar os sistemas oficiais da Justiça Eleitoral, já é possível acompanhar os registros apresentados pelos partidos e candidatos. Entre os nomes que já aparecem no processo está o professor Witer Naves, do PSOL, que apresentou sua chapa para a disputa pelo Governo do Tocantins.

É importante lembrar que o registro da candidatura é uma etapa formal do processo eleitoral. Os partidos ainda podem apresentar seus pedidos dentro do prazo estabelecido pela legislação, e a Justiça Eleitoral fará a análise dos registros. Portanto, o cenário apresentado neste momento ainda poderá passar por ajustes até a consolidação das candidaturas.

As convenções partidárias terminaram no dia 5 de agosto. A partir de agora, os partidos entram em uma fase de formalização das candidaturas, enquanto os candidatos e suas equipes se preparam para o início oficial da campanha eleitoral.

Campanha começa oficialmente em 16 de agosto

A partir do dia 16 de agosto começa oficialmente a propaganda eleitoral. É nesse momento que os candidatos poderão pedir votos dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral e apresentar suas propostas ao eleitorado.

Até aqui, grande parte das movimentações ocorreu nos bastidores, com reuniões, negociações, formação de chapas e definição de alianças. Com o início oficial da campanha, o eleitor passa a acompanhar mais diretamente os candidatos, suas propostas e os grupos políticos que estarão disputando cada cargo.

O período também será marcado por debates, entrevistas, propaganda eleitoral, atividades de rua e divulgação de propostas. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início posteriormente, conforme o calendário definido pela Justiça Eleitoral.

Eleitor terá seis escolhas na urna

Uma das principais novidades das Eleições 2026 é que o eleitor brasileiro fará seis escolhas na urna eletrônica no primeiro turno. A ordem de votação será definida pelo Tribunal Superior Eleitoral e seguirá esta sequência: deputado federal, deputado estadual, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente da República.

Primeiro, o eleitor escolherá seu candidato a deputado federal, cujo número possui quatro dígitos. Em seguida, será a vez do deputado estadual, com cinco dígitos. Depois virão as duas escolhas para o Senado: primeiro o candidato à primeira vaga e, depois, o candidato à segunda vaga. Para senador, o número possui três dígitos.

Na sequência, o eleitor votará para governador, cujo número possui dois dígitos, e, por último, para presidente da República, também com dois dígitos.

São realmente muitos números para memorizar. Por isso, o eleitor pode utilizar a chamada “colinha eleitoral”, levando anotados os números dos candidatos que escolheu para facilitar a votação e evitar erros na hora de digitar na urna.

E se o eleitor não quiser escolher nenhum candidato?

Outra dúvida que pode surgir durante a eleição é o que fazer quando o eleitor não se identifica com nenhum dos candidatos apresentados.

Nesse caso, existem duas possibilidades diferentes: o voto em branco e o voto nulo.

Para votar em branco, o eleitor deve utilizar a tecla “BRANCO” da urna eletrônica e, depois, confirmar. Já para votar nulo, é necessário digitar um número que não corresponda a nenhum candidato ou candidatura válida e, em seguida, confirmar o voto. Nas eleições majoritárias, como para governador, senador e presidente, números que não correspondam a candidatos registrados são contabilizados como votos nulos.

É importante destacar que votos em branco e votos nulos não são destinados a nenhum candidato e não são transferidos para o candidato mais votado.

Existe voto de legenda?

Para quem não deseja escolher um candidato específico nas eleições proporcionais, existe ainda o voto de legenda. Porém, é importante esclarecer que essa possibilidade não se aplica a todos os cargos.

O voto de legenda pode ser utilizado nas eleições para deputado federal e deputado estadual. Nessa situação, o eleitor digita apenas os dois primeiros dígitos correspondentes ao partido e confirma a votação, sem completar o número de um candidato específico. Segundo as regras do TSE, esses votos são contabilizados para a legenda nas eleições proporcionais.

Para senador, governador e presidente, não existe voto de legenda. Nesses cargos, o eleitor precisa escolher uma candidatura específica ou, caso não queira votar em nenhum candidato, optar pelo voto em branco ou anular o voto.

No caso do Senado, existe ainda uma atenção especial: em 2026 serão escolhidos dois senadores por estado. O eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. Se votar no mesmo candidato nas duas oportunidades, o segundo voto será considerado nulo.

Quando serão as eleições?

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 acontecerá no dia 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno será realizado no dia 25 de outubro.

O segundo turno poderá ocorrer nas disputas para presidente da República e governador, quando nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, conforme as regras eleitorais.

Em 2026, o eleitorado brasileiro participará de uma eleição de grande dimensão. Serão escolhidos 27 governadores e vice-governadores, 54 senadores, 513 deputados federais e 1.035 deputados estaduais e distritais, além de presidente e vice-presidente da República.

O que estará em disputa no Tocantins?

No Tocantins, os eleitores escolherão uma chapa para governador e vice-governador, dois senadores, oito deputados federais e 24 deputados estaduais.

Isso significa que o eleitor tocantinense terá seis escolhas na urna no primeiro turno: deputado federal, deputado estadual, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente da República.

Além da escolha do governador, a eleição para o Senado terá importância especial porque duas cadeiras estarão em disputa. Os senadores possuem mandato de oito anos e representam os estados no Congresso Nacional.

Também estarão em jogo as oito cadeiras destinadas ao Tocantins na Câmara dos Deputados e as 24 vagas da Assembleia Legislativa do Estado.

Uma eleição que exige atenção do eleitor

Com tantos cargos em disputa e seis escolhas diferentes na urna, a preparação pode ajudar o eleitor a votar com mais tranquilidade. A Justiça Eleitoral disponibiliza informações oficiais sobre as candidaturas, partidos, regras de votação e calendário eleitoral.

Uma das formas mais simples de evitar confusão no momento da votação é preparar antecipadamente a sua “cola”, anotando os números dos candidatos escolhidos na mesma ordem em que aparecerão na urna.

A sequência será: deputado federal, deputado estadual, senador primeira vaga, senador segunda vaga, governador e presidente da República.

Também é importante conferir previamente a situação das candidaturas nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, principalmente porque o prazo de registro termina somente em 15 de agosto e os pedidos ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins mantém uma página específica com informações sobre as Eleições 2026, incluindo registro de candidaturas, calendário, partidos e demais orientações.

O eleitor é quem decide

As Eleições 2026 entram agora em uma fase decisiva. Depois das convenções partidárias, das alianças e das definições internas, os partidos passam a formalizar suas candidaturas e, a partir de 16 de agosto, começa oficialmente a campanha eleitoral.

No Tocantins, diferentes grupos políticos disputarão o Governo do Estado, as duas vagas para o Senado, as oito cadeiras na Câmara dos Deputados e as 24 vagas da Assembleia Legislativa.

Para o eleitor, o momento será de acompanhar as propostas, conhecer os candidatos, verificar as informações divulgadas pelas campanhas e utilizar os canais oficiais da Justiça Eleitoral para confirmar os dados.

No dia 4 de outubro, serão seis escolhas na urna. E, diante de tantos números, nomes e candidatos, uma boa preparação pode fazer a diferença para que o eleitor consiga exercer seu direito de voto com tranquilidade e segurança.

As Eleições 2026 serão, portanto, mais do que uma disputa pelo Governo do Tocantins. Serão também uma oportunidade para definir a representação do Estado no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, além da escolha do próximo presidente da República.